Estratégias para uma Cartografia de Controvérsias “Culturais”: o caso dos rolezinhos nos jornais e redes digitais

 

Resumo: O artigo explora as possibilidades de uma Cartografia de Controvérsias “Culturais”, inspirada na Cartografia de Controvérsias presente na Teoria Ator-Rede de Bruno Latour, que a princípio mapeia os debates nos domínios técnicos e científicos. O objetivo aqui foi propor um modelo de Cartografia de Controvérsias, com 12 etapas. Como exemplo da aplicação do modelo, observou-se o modo como a polêmica dos “rolezinhos” apareceu em alguns jornais brasileiros e nas principais redes digitais. Essa forma de abordagem Cartografia de Controvérsias demonstrou ser um modo produtivo de estudar fenômenos complexos, por permitir a inclusão de perspectivas diversas, sem necessariamente tentar explicar ou antecipadamente reduzir o fenômeno a uma única possibilidade interpretativa

Palavras-chave: cartografia de controvérsias, cultura digital, rolezinho, jornalismo, teoria ator-rede.

 

ABSTRACT
This article explores the possibilities of a Cartography of “Cultural” Controversies, inspired by the Cartography of Controversies present in Bruno Latour’s actor-network theory, which initially maps the debates in technical and scientific domains. The goal was to propose a model of Cartography of Controversies consisting of 12 stages. As an example of the application of the model, the way the polemical rolezinhos were portrayed in some Brazilian newspapers and in the main digital networks was observed. This method of approach Cartography of Controversies proved to be a productive tool to study complex phenomena, since it allows for the inclusion of various perspectives without necessarily trying to explain or reduce beforehand the phenomenon to one single interpretative possibility.

Keywords: cartography of controversies, digital culture, rolezinho, journalism, actor-network theory.

 

Publicado na Fronteiras – v. 18, n. 2 (2016): Maio/Agosto (link)

Obs: esse artigo é uma versão modificada e atualizada do texto “Por uma cartografia de controvérsias culturais – o caso dos rolezinhos

 

Jornalismo cultural em tempos de cultura nas redes, interatividade e pós-cultura

Resumo:
Nos últimos anos, com o crescimento das redes sociais, surgiram novos caminhos para a difusão, criação e reflexão sobre cultura. Esse é atualmente um dos grandes dilemas do jornalismo cultural: como usar as redes para falar de cultura sem submergir à sua nova lógica pós-canônica e pós-cultural. Já que, nesse contexto, se explicitam as diferenças entre a forma tradicional de difusão cultural
e as novas formas da cultura nas redes.

Palavras-chave: jornalismo cultural; cultura digital; interatividade; cultura; pós-cultura.

Abstract: Over the last years, with the growth of social networks, new paths have emerged for the diffusion, creation and reflection about culture. This is presently one of the biggest dilemmas of cultural journalism: how to use digital networks to talk about culture without submerging to its new post canonical and post cultural logic. Given that, in this context, the differences between the traditional form of cultural diffusion and the new forms of culture in the digital networks are highlighted.

Keywords: cultural journalism; digital culture; interactivity; culture; post-culture

publicado na Revista Lumina – Vol.10 • no2 • agosto 2016 (link)

Obs: esse artigo é uma versão modificada e atualizada do texto “cultura nas redes” de 2013

 

Tese

Tese de Doutorado

Modos de Coexistência Mediada:
Por uma Ontologia da Atenção Distribuída Digitalmente.

Andre Stangl, 2016

Resumo:

A pesquisa apresenta o conceito da coexistência mediada comunicacionalmente e tenta identificar os “erros” de percepção que podem ocorrer entre as diversas formas/ambientes de mediação comunicacionais, representadas pelos fluxos e refluxos: acústicos, visuais, elétricos e digitais. O conceito de coexistência mediada comunicacionalmente é inspirado na “Investigação sobre os Modos de Existência”, de Bruno Latour, e opera uma tradução da tensão entre essencialismo e correlacionismo visando a um deslocamento da atenção que nos ajude a perceber etnograficamente as relações entre humanos e não humanos. Assim, na primeira etapa da pesquisa foi feita uma revisão da “investigação” de Latour, descrevendo seus passos até a missão diplomática e colaborativa de composição de um mundo comum, representada pela AIME. Em seguida, foram mapeados os principais usos do termo mediação, buscando identificar aqueles mais próximos da AIME, como foi o caso das explorações de Marshall McLuhan. Por fim, para identificar esses fluxos e refluxos ontológicos foi realizada uma experimentação etnográfica sobre o fenômeno dos rolezinhos, partindo a princípio dos rastros das controvérsias sobre o evento. O percurso que levou a pesquisa a formular o conceito de coexistência mediada também levou a propor uma estratégia de autoconhecimento, ou autoantropologia, como prefere Marilyn Strathern, que nos ajude a lidar com a multiplicação dos ambientes de nossas ecologias cognitivas. Tendo como base indícios de que a velocidade e a intensidade do trânsito entre as diversas mediações comunicacionais instauram desvios e confusões (semelhantes a “erros” de percepção, aqui nomeados como efeito Flammarion), a pesquisa então propõe/constata o seguinte: para aprender a conviver com os desafios de uma atenção distribuída digitalmente e no sentido da diplomacia que nos levará a compor um novo e múltiplo mundo, talvez seja necessário reaprendermos a nos livrar da atenção.

Palavras-chave: Mediação. Modos de existência. Ecologia cognitiva. Digitalização. Bruno Latour.

(pdf completo da tese está disponível aqui)

 

Por uma cartografia de controvérsias culturais – o caso dos rolezinhos

Resumo: O Artigo explora as possibilidades de uma Cartografia de Controvérsias Culturais (CCC), inspirada na Cartografia de Controvérsias presente na Teoria ator-rede de Bruno Latour, que a princípio mapeia os debates nos domínios técnicos e científicos. Partindo da controvérsia sobre os “rolezinhos” tentaremos testar como a CCC pode nos ajudar a criar novas pontes para o dialogo e a convivência.

(trabalho selecionado para o XI Enecult)

link: pdf

cultura nas redes

Cultura nas redes (2013)1

 Andre Stangl2 

Todas as formas de violência são buscas de identidade”
Marshall McLuhan

Preâmbulo baiano

 Imaginemos a vida de um jovem, classe média, consumidor de cultura, arte e/ou entretenimento pop na capital baiana na virada da década de 80 para 90. Na TV aberta, salvo engano, existiam um ou dois programas de videoclips, nas bancas circulava a Revista Bizz, os jornais locais davam pouco espaço ao tema e na cidade inteira existiam dois ou três sebos de discos, onde se podia encontrar as novidades, as raridades e as amizades. Em Salvador, uma cidade com características muito especiais, a cultura popular fervilhava nos bairros periféricos, com blocos afros e bandas de axé, mas, para os jovens que sonhavam com as capas da Bizz, a cultura local era um tormento que se propagava nas ondas do rádio. Ser punk, dark ou grunge sob o sol escaldante da cidade era se chocar com toda uma cidade. Nesse contexto, roupas e cabelos eram formas inequívocas de identificação e se tinha a nítida impressão que todos se conheciam. No entanto, na província baiana, quando acontecia algum show do chamado circuito alternativo era frequente a relativa ausência de público. Nos dois ou três bares da cidade frequentados pelos alternativos, era comum a ladainha culpando o axé, a mpb e o dendê pelas mazelas e dificuldades da cena. Era difícil o acesso a discos, filmes e livros, sem falar em peças de teatro e exposições. Mas como seria a vida desse jovem hoje? Será que a Internet e suas possibilidades mudaram sua realidade? Como e de que forma essa mudança se dá?

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@tivismo

Mudando o mundo com um link na cabeça e a rede nas mãos (2012)*

Andre Stangl

O mundo vive hoje uma explosão de mobilizações, quase todas ampliadas e organizadas através da internet. Dependendo de sua time-line, ou seja de quem você segue, todo dia tem uma ou duas denúncias importantíssimas, que se não forem repassadas imediatamente podem até tirar o sono dos mais sensíveis. Quem já não ficou em dúvida? Retuito isso? Compartilho ou dou só uma curtida? Tem períodos que numa mesma semana podem chegar duas ou três convocações absolutamente imperdíveis. Brincadeira séria essa, que às vezes pode ter consequências efetivas, vide o efeito dominó da Primavera Árabe, onde uma espantosa sucessão de revoltas clamando por mais democracia em países onde o sentido desse conceito é ainda nebuloso, se espalhou chegando a Espanha e reverberando em Wall Street. Ainda não sabemos onde esse poder nos levará, mas olhar seu rastro pode nos inspirar sobre os novos rumos e possibilidades.

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McLuhan e a economia criativa

McLuhan e o link da alegria criativa (2011)

Andre Stangl1 

A vida só pode ser entendida olhando para trás,
mas deve ser vivida olhando para frente.
Kierkegaard

Por que não? Por que não?2

Todas as tecnologias são linguagens e como tais são a essência do que nos torna humanos. Da pedra lascada aos tablets, as extensões técnicas sempre estiveram diretamente relacionadas com as transformações das nossas sociedades. Como dizia Marshall McLuhan (1911-1980), nós moldamos nossas ferramentas e somos moldados por elas. McLuhan foi um dos primeiros a entender as tecnologias de comunicação como um novo tipo de cultura, por isso, é interessante rever seu pensamento. Por ser um dos primeiros a falar sobre as nossas transmutações técnicas, o seu pensamento tem algo de profético. Nesse sentido, o pensamento criativo e bem humorado de McLuhan é um testemunho precioso, é como se uma testemunha do big-bang pudesse nos dizer como as estrelas começaram a brilhar. McLuhan não estava presente no começo da era eletrônica, mas viu de perto quando ela começou a se tornar digital.

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