Estratégias para uma Cartografia de Controvérsias “Culturais”: o caso dos rolezinhos nos jornais e redes digitais

O artigo explora as possibilidades de uma Cartografia de Controvérsias “Culturais”, inspirada na Cartografia de Controvérsias presente na Teoria Ator-Rede de Bruno Latour, que a princípio mapeia os debates nos domínios técnicos e científicos. O objetivo aqui foi propor um modelo de Cartografia de Controvérsias, com 12 etapas. Como exemplo da aplicação do modelo, observou-se o modo como a polêmica dos “rolezinhos” apareceu em alguns jornais brasileiros e nas principais redes digitais. Essa forma de abordagem Cartografia de Controvérsias demonstrou ser um modo produtivo de estudar fenômenos complexos, por permitir a inclusão de perspectivas diversas, sem necessariamente tentar explicar ou antecipadamente reduzir o fenômeno a uma única possibilidade interpretativa

Jornalismo cultural em tempos de cultura nas redes, interatividade e pós-cultura

Nos últimos anos, com o crescimento das redes sociais, surgiram novos caminhos para a difusão, criação e reflexão sobre cultura. Esse é atualmente um dos grandes dilemas do jornalismo cultural: como usar as redes para falar de cultura sem submergir à sua nova lógica pós-canônica e pós-cultural. Já que, nesse contexto, se explicitam as diferenças entre a forma tradicional de difusão cultural
e as novas formas da cultura nas redes.

Por uma Ontologia da Atenção Distribuída Digitalmente.

O percurso que levou a pesquisa a formular o conceito de coexistência mediada também levou a propor uma estratégia de autoconhecimento, ou autoantropologia, como prefere Marilyn Strathern, que nos ajude a lidar com a multiplicação dos ambientes de nossas ecologias cognitivas. Tendo como base indícios de que a velocidade e a intensidade do trânsito entre as diversas mediações comunicacionais instauram desvios e confusões (semelhantes a “erros” de percepção, aqui nomeados como efeito Flammarion), a pesquisa então propõe/constata o seguinte: para aprender a conviver com os desafios de uma atenção distribuída digitalmente e no sentido da diplomacia que nos levará a compor um novo e múltiplo mundo, talvez seja necessário reaprendermos a nos livrar da atenção.

Pontos de Cultura – por uma politica cultural mestiça, digital, tropicalista e global

Para compreender o alcance, a profundidade e as dificuldades de um programa como os Pontos de Cultura, implantado pelo Ministério da Cultura (MinC) do governo do Brasil, primeiro será necessário contextualizá-la dentro do cenário da cultura local. O Brasil é um país com uma realidade social complexa e desigual, um povo mestiço, uma geografia descomunal e umademocracia recente.