Quem tem medo do relativismo?

A cena já é clássica: alguém acorda e inspirado por alguma vontade quase divina de justiça posta em suas redes um desabafo, seja no espectro político que for, à esquerda ou à direita, e imediatamente após a postagem descobre que sua indignação se baseava em uma fake news. O que fazer? Deletar a postagem e se desculpar? Para quê? O fato pode não ser real, mas a indignação continua verdadeira e, para muitos, isso basta.

Por uma Ontologia da Atenção Distribuída Digitalmente.

O percurso que levou a pesquisa a formular o conceito de coexistência mediada também levou a propor uma estratégia de autoconhecimento, ou autoantropologia, como prefere Marilyn Strathern, que nos ajude a lidar com a multiplicação dos ambientes de nossas ecologias cognitivas. Tendo como base indícios de que a velocidade e a intensidade do trânsito entre as diversas mediações comunicacionais instauram desvios e confusões (semelhantes a “erros” de percepção, aqui nomeados como efeito Flammarion), a pesquisa então propõe/constata o seguinte: para aprender a conviver com os desafios de uma atenção distribuída digitalmente e no sentido da diplomacia que nos levará a compor um novo e múltiplo mundo, talvez seja necessário reaprendermos a nos livrar da atenção.