A Caverna da Mediação

Entender o domínio da comunicação como um campo de estudo das mediações comunicacionais, nos leva a uma perspectiva não essencialista das tecnologias. No entanto, as mediações ainda são vistas com desconfiança e muitas vezes os pesquisadores parecem querer indicar, platonicamente, o caminho de saída da caverna das mediações. Como se fosse possível purificar e isolar epistemologicamente as ferramentas conceituais do próprio domínio. Mas não é justamente o domínio da Comunicação que pressupõe um tipo de obsolescência programada, como se autores e teorias tivessem data de validade? Como ignorar a imbricada relação epistêmica do campo com os meios estudados? A acada nova tecnologia, uma nova teoria surge, mas em geral é apresentada como se não fosse gestada pela relação entre atores humanos e não humanos.

Jornalismo cultural em tempos de cultura nas redes, interatividade e pós-cultura

Nos últimos anos, com o crescimento das redes sociais, surgiram novos caminhos para a difusão, criação e reflexão sobre cultura. Esse é atualmente um dos grandes dilemas do jornalismo cultural: como usar as redes para falar de cultura sem submergir à sua nova lógica pós-canônica e pós-cultural. Já que, nesse contexto, se explicitam as diferenças entre a forma tradicional de difusão cultural
e as novas formas da cultura nas redes.

Por uma Ontologia da Atenção Distribuída Digitalmente.

O percurso que levou a pesquisa a formular o conceito de coexistência mediada também levou a propor uma estratégia de autoconhecimento, ou autoantropologia, como prefere Marilyn Strathern, que nos ajude a lidar com a multiplicação dos ambientes de nossas ecologias cognitivas. Tendo como base indícios de que a velocidade e a intensidade do trânsito entre as diversas mediações comunicacionais instauram desvios e confusões (semelhantes a “erros” de percepção, aqui nomeados como efeito Flammarion), a pesquisa então propõe/constata o seguinte: para aprender a conviver com os desafios de uma atenção distribuída digitalmente e no sentido da diplomacia que nos levará a compor um novo e múltiplo mundo, talvez seja necessário reaprendermos a nos livrar da atenção.

McLuhan e o link da alegria criativa

Na década de 1960, o pensamento McLuhan ganhou o mundo, estava nas capas de revistas e na televisão, no olho do furacão informacional que tentava desvendar. Nas décadas seguintes, foi sendo colocado de escanteio, talvez pelo ciúme dos seus colegas, talvez pela sua saúde. No Brasil, foi quando as teorias derivadas do marxismo que condenavam de antemão qualquer tentativa de interpretação dos meios de comunicação de massa que não fosse crítica, o colocaram para escanteio. Uma leitura apressada de sua obra pode até dar a impressão de uma apologia, mas McLuhan, pelo contrário, era até tecnofóbico, encarava a sua missão como uma tentativa de “explorar” o vórtex informacional, buscando uma forma de sobrevivência.

McLuhan e o sentido mítico

Estamos afundando no mar dos estímulos informativos e, segundo McLuhan, a nossa única esperança é reconstruir o sentido narrativo, seja mítico ou estético, do nosso caótico entorno. A filosofia de seu pensamento, suas teorias e experimentações são tentativas de nos alertar e acordar da narcose antes que seja tarde demais. Segundo ele, existem quatro perguntas fundamentais para entender o funcionamento dos meios tecnológicos:
1ª – o que esse meio vai aperfeiçoar (enhances)?
2ª- o que tornará obsoleto (obsolesces)?
3ª- o que irá recuperar (retrieves)?
4ª- depois de seu ápice, como esse meio se transformará em seu oposto (reverses)?