Jornalismo cultural em tempos de cultura nas redes, interatividade e pós-cultura

Nos últimos anos, com o crescimento das redes sociais, surgiram novos caminhos para a difusão, criação e reflexão sobre cultura. Esse é atualmente um dos grandes dilemas do jornalismo cultural: como usar as redes para falar de cultura sem submergir à sua nova lógica pós-canônica e pós-cultural. Já que, nesse contexto, se explicitam as diferenças entre a forma tradicional de difusão cultural
e as novas formas da cultura nas redes.

cultura nas redes

Imaginemos a vida de um jovem, classe média, consumidor de cultura, arte e/ou entretenimento pop na capital baiana na virada da década de 80 para 90. Na TV aberta, salvo engano, existiam um ou dois programas de videoclips, nas bancas circulava a Revista Bizz, os jornais locais davam pouco espaço ao tema e na cidade inteira existiam dois ou três sebos de discos, onde se podia encontrar as novidades, as raridades e as amizades. Em Salvador, uma cidade com características muito especiais, a cultura popular fervilhava nos bairros periféricos, com blocos afros e bandas de axé, mas, para os jovens que sonhavam com as capas da Bizz, a cultura local era um tormento que se propagava nas ondas do rádio. Ser punk, dark ou grunge sob o sol escaldante da cidade era se chocar com toda uma cidade. Nesse contexto, roupas e cabelos eram formas inequívocas de identificação e se tinha a nítida impressão que todos se conheciam. No entanto, na província baiana, quando acontecia algum show do chamado circuito alternativo era frequente a relativa ausência de público. Nos dois ou três bares da cidade frequentados pelos alternativos, era comum a ladainha culpando o axé, a mpb e o dendê pelas mazelas e dificuldades da cena. Era difícil o acesso a discos, filmes e livros, sem falar em peças de teatro e exposições. Mas como seria a vida desse jovem hoje? Será que a Internet e suas possibilidades mudaram sua realidade? Como e de que forma essa mudança se dá?